Esta é uma das perguntas que mais ouvimos em consulta. Muitos pais ficam na dúvida entre “é só uma fase” e “será que devo pedir ajuda?”. A verdade é simples: quando existe dúvida, vale a pena avaliar. Avaliar não significa que exista um problema — significa cuidar.
A linguagem, a fala, a comunicação, a voz e até a forma como a criança come e engole desenvolvem-se ao longo do tempo, com etapas esperadas para cada idade. Algumas crianças precisam apenas de mais tempo; outras beneficiam claramente de apoio especializado. O papel do Terapeuta da Fala é precisamente ajudar a perceber essa diferença.
Nos primeiros anos de vida (0–3 anos)
É importante estar atento se a criança:
- Não reage aos sons ou não tenta comunicar
- Não aponta, não imita sons ou gestos
- Diz poucas palavras para a idade
- Não junta palavras por volta dos 2 anos
- Parece não compreender instruções simples
- Usa mais gestos do que palavras após os 2 anos e meio
Quanto mais cedo se avalia, maior é a janela de oportunidade para estimular o desenvolvimento.
Em idade pré-escolar (3–5 anos)
Nesta fase, os sinais podem ser mais subtis:
- Fala pouco clara, difícil de entender
- Trocas frequentes de sons
- Dificuldade em formar frases completas
- Vocabulário pobre para a idade
- Dificuldade em contar histórias ou organizar ideias
- Gaguez persistente ou com tensão
- Dificuldade em aprender rimas, sílabas ou sons das palavras
Estes sinais podem influenciar diretamente a futura aprendizagem da leitura e da escrita.
Em idade escolar
A avaliação é recomendada se surgirem:
- Dificuldades na leitura e escrita
- Muitos erros ortográficos persistentes
- Leitura lenta, com trocas ou omissões
- Dificuldade em compreender o que lê
- Dificuldade em expressar ideias por escrito
- Baixa autoestima associada à comunicação
- Evitamento de falar em sala de aula
Muitas dificuldades escolares têm base na linguagem oral e beneficiam muito de intervenção especializada.
E se o meu filho “fala, mas não como os outros”?
Nem todas as dificuldades são óbvias. Algumas crianças têm uma boa linguagem aparente, mas:
- cansam-se a falar
- têm dificuldade em organizar o discurso
- não encontram palavras com facilidade
- ficam frustradas ao comunicar
Nestes casos, a avaliação ajuda a perceber se estamos perante uma variação do desenvolvimento ou uma dificuldade que merece acompanhamento.
Avaliar não é rotular
Um dos maiores receios dos pais é “colocar um rótulo” no filho. Mas a avaliação em Terapia da Fala não rotula — orienta. Permite:
- esclarecer dúvidas
- prevenir dificuldades futuras
- apoiar a criança e a família
- evitar sofrimento emocional e escolar
Muitas vezes, bastam algumas sessões de orientação ou estratégias simples em casa.
Confie no seu instinto. Se sente que algo não está bem, se a escola levantou alguma preocupação ou se compara o seu filho com outras crianças da mesma idade e fica inseguro, isso já é motivo suficiente para procurar ajuda.
Cuidar da comunicação é cuidar do desenvolvimento, da aprendizagem e da autoestima.